terça-feira, 19 de abril de 2011

Girls talk “not alowed”


Em Moçambique:
- Ex-namorado é como vestido velho, quando olhamos nos questionamos: como é que eu fui capaz de um dia sair à rua com isto?
Na índia:
- Joana, posso perguntar-te uma coisa?
- Sim.
- Tu… já alguma vez beijaste alguém?
- Eu? C’mon! Claro que… quer dizer… hummm… sim. Porquê?
- Eu nunca beijei ninguém. Eu acho que é errado.
- Porquê?
- As pessoas dizem que é errado.
- E o que é que tu sentes?
- É errado. Eu acho que é.
- Ok…
Na marginal de Maputo:
- Sim, homem é como montra, roupa nova, acessório… tem coisas que nunca nos ficaram bem, nunca nos serviram, forçámos as mangas, os tivemos de subir tanto as bainhas…. Mais valia compra outro modelo!
- Mas nós às vezes insistimos!
- Somos burras mesmo! Ysh! Amiga, já viste? Hoje não há nada de interessante.
- Yap, está num daqueles dias que nem dá pena não ter taco!
- Mas amiga, sabes que nas compras, às vezes tem de se dar um desconto. Olha aquele damo ali de jeans!
- Desconto? Querida eu desde há um tempo que estou em liquidação total mesmo! Pede lá contacto!
Ao fim do dia à beira do rio em Alephey:
- Na tua terra é permitido uma rapariga caminhar com um rapaz a esta hora?
- Claro! Não tem problema!
- Com um amigo?
- Com um amigo, um namorado, o que quiseres!
- Mesmo uma mulher que não seja casada?
- Claro! Aqui não?
- NÃO! it is not allowed!
Sim, estou de viagem, levo xikwembo a outras latitudes, para me perder noutro continente. Como se diz em Moçambique vou com dos “v”, vou e volto.
Vou para viver outra vida, com outras referências, diferentes práticas, novos cheiros e definitivamente outros papos… acabo de chegar, ainda a experiencia pinga a gota gota na escrita, ainda vivo e escrevo sem o tempo do pensar. Ainda, como acontece quando se viaja de avião, ainda tenho na mala o cheiro do baía de maputo, ainda não me entrou nos cabelos o jasmin indiano. E talvez por isso a mente viaja sempre em comparações, nas inevitáveis medidas do pensamento e do desejo do povo orgulhosamente “made in mozambique”:
- Sabem, uma prostituta disse-me uma vez “tens bom material mas não o usas!”
- Ah! Ah! Ah! A sério?
- Ya… mas eu acho que ela foi nice, porque podia só ter feito o que tinha a fazer e não comentar, mas ajudou-me, eu a partir daí comecei a pensar mais no que fazia…
- Hardware e software!
- Yap! Isso é bom tema!
- Sim todos falam das questões dos tamanhos! Claro que importa pah!
- Ya, importa!
- Claro!
- Importantíssimo!
- Ahahahahahah!
- Mas não pensem que basta ter tamanho! Aaaaaaaaaaaaaah! Sem técnica isso tudo não anima pah!
Na índia:
- Eu estou a pensar num amigo…
- Um amigo?
- Sim, especial…
- Um namorado?
- Não, isso “not allowed”!
- Ok… então? Conta.
- Este meu amigo quer amar-me…
- E tu?
- Eu amo os meus pais mais… não posso aceitar.
- Mas… são diferentes tipos de amor..
- Não aqui. Not allowed.
Sim… eu agora estou na índia, em Moçambique celebrou-se recentemente o dia da mulher moçambicana e eu aqui, sentada no chão da varanda a falar com Lakshmi sobre o amor… amor que a ela não é permitido sentir…
- Tu tens saudades de alguém?
- Eu? Sim…
- De um namorado?
- De um amigo… especial. Sabes o que é?
- Não sei.. acho que não sei… Mas na tua cultura é diferente…
- Sim.
Qual é que tu achas que é melhor?
- Eu… não sei. Eu respeito ambas e… entendo ambas.
- Ok…
- E tu?
- Eu acho que a tua cultura é errada, porque vocês têm um namorado, depois teem outro e isso não está certo!
Hummmm… sim, eu acho que já tenho saudades de Moçambique!

sábado, 19 de março de 2011

Girls talk 2


- Eu sou casada, mas eu adoro estar sozinha! Eu preciso do meu tempo, gosto de ler o meu livro, fazer as minhas coisas, sou casada há oito anos mas só é possível manter o que temos porque o meu marido viaja muito! Se ele não viajasse eu tenho a certeza que já estava divorciada!
- Ah! Ah! Ah!
- Tu estás a rir de quê? Eh pah, ELE não devia estar aqui!
- Sim, nesta conversa de mulheres um homem não tem lugar!
- Vai embora…
- Tapa os ouvidos!
- Não… eu não digo nada! Ai, se eu ouvisse o que oiço aqui há 10 anos…
- Vês, eu acho que é pena termos de sentir assim, eu descansar quando o meu marido viaja? Melhor estar sozinha!
- Sozinha? Eu preciso de um homem….
- Sim, eu também, mas para as coisas que se precisa sempre se arranja!
- Sim, concordo contigo!
- Sim, ela sempre fala desta teoria….
- Sim então somos duas, em concordo com ela!
- Concordas com a teoria da keca mágica?
- Como é isso?
- Então, nós damos uma keca e depois ele – estala os dedos – desaparece!
- Mas vocês, como têm coragem? Então acho que nós estamos igual ou pior que os homens!
- Mas porquê? No fundo somos iguais. Eles não apanham uma tusa? Nós também! Vamos fingir que não? Mas acho que somos mais inteligentes e separamos as coisas.
- Mas dá para separar?
- Mas claro que dá!
- Não, desculpem, broncos não! Para mim um homem tem de ter conteúdo!
- Tem? Mesmo? E não apanhas tusa por quem não tem conteúdo nenhum? Falo do plano físico apenas, ele também existe para nós!
- Mas depois… falam sobre quê?
- Mas estamos a falar de conversa? Ou de acção?
- Um bronco pode ser muito bom para acção…
- Sim… meninas há departamentos! Cada coisa é uma coisa, há pastas, cada pasta tem um ficheiro, usa-se, anexa-se! E pode ir-se lá buscar de novo determinado processo, sem problemas!
- Ai, se eu ouvisse o que oiço aqui há 10 anos…
- Tu, tapa os ouvidos!
- Eu não consigo com homens muito mais novos…
- Ah! E mais velhos? Nada! Homens a partir dos 50 malucam! Isto está provado! Eu não estou a brincar pah!
- Mas muito novos… eu não consigo. Um homem que me liga a convidar para sair? Uma pessoa com 28 anos? Pensa o quê? Eu só lhe disse “tens idade para ser meu filho”, ele respondeu com simplicidade “mas não sou”.
- Ah! Ah! Ah! Mas tem razão! Eu acho que devias avançar, que importa isso da idade?
- Talvez tenham razão, agora aqui a ouvir a nossa conversa… é preconceito meu. Idade não importa…
- Importa! Homens a partir dos 50 ficam loucos! Não há mais nada a dizer, está provado! Por isso eu a partir dos 40 nem pensar! Nada.
- Mas tu um dia vais ter 50 anos!
- E então? Eu não sou homem, e arranjo um mais novo!
- Sim, há muitos por aí.
- Há muitos homens sim, não há falta.
- Homens solteiros não há…
- Isso é outra questão…
- Sim, há não-casados…
- Não, é igual! Porque todos têm compromisso com alguém, namorada, pita, mulher, qualquer mulher na zona eles têm!
- Sim… bom, homens casados é outro departamento…e aí vamos ao tema casa dois… que é tema muito longo.
- Eu prefiro ser casa dois! E ter um homem interessante, que cuida de mim, que me dá o que eu necessito, que me preenche…
- E que tem outra relação…
- Sim! Mas eu sei dessa relação, e aceito, e estou com ele, saio com ele, vamos às festas juntos… Claro, não nos beijamos na boca em público! Mas temos uma relação.
- Ya… eu casa dois… complicado… fui tratada como casa dois uma vez e detestei!
- Mas o que é isso de ser tratada como casa dois?
- Eh pah, tu tens homens com quem tens relações íntimas, eles vêem-te na rua e não te cumprimentam??!!
- Ya, isso não é nice…
- Sim, há homens que fazem isso…
- Eu não vou lá beijá-lo, mas se tenho uma relação íntima com uma pessoa quero que ela me respeite, e isso não é respeito…
- Sim… não é…

quinta-feira, 10 de março de 2011

Girls talk

- Sabes que eu disse ao teu ex “hoje a tua ex-mulher vem jantar a minha casa, e sabes o que ele respondeu? Qual delas? O estúpido…”
- Sim, mas não te preocupes eu também tenho uma pergunta para te fazer, qual dos meus ex?
- Ah! Ah! Ah! Ah! Sim, tens razão! Sabes q ele veio aqui uma vez com uma dessas… uma dessas meninas. E sabem como eu sou, sempre falo dessas… meninas, então para mim ter na minha mesa uma dessas pessoas, assim uma das “próprias” foi…. Eu não sabia o que dizer! Bom, ela também não, as duas vezes que abriu a boca..
- Era melhor que a tivesse mantido fechada?
- Ah! Ah! Ah! Sim!
- Mas porque é que os homens andam com estas mulheres pah?!
- Eles não querem mulheres como nós, sofisticadas, com exigências, com personalidade, eles querem…
- Uma mulher de quatro? Mas então é só isso!?
- Sim, nós somos muito complicadas para eles, não aguentam!
- Eu tenho um que diz mesmo isso, que agora do que gosta é mesmo do quintal! De ir buscá-las lá às traseiras, nada mais.
- Ok, todo bem a pessoa pode gostar mas..
- Sabes, eu acho que se queremos manter os nossos homens às vezes temos de fazer esse jogo mesmo!
- O qual? De me baixar ao nível dele? Nada, nunca vai funcionar!
- O problema não és tu, são eles, mesmo que tu sejas tudo, sempre vão procurar coisas fora! Sempre!
- Sim, eu já fiz isso de ir fazer as coisas que o senhor gostava, e não falo de problemas de cama porque eu considero-me muito aberta nesse campo! Mas… eu aguentava coisas… era um tipo desses assim, sem critério!
- Sim, eu acho que o meu ex pode andar com quem quiser mas no fundo quando o vejo com essas fico a pensar o que é que estava a fazer comigo! Porque a coisa não liga…
- Sim, é humilhante para nós!
- É no mínimo estranho. O que é que ele fala com ela quando estão sozinhos? Não pensam nisso? Eu penso…. Ok, de quatro tudo bem, mas é só, depois não conversam mais nada?
- Mas sabes que eu isso até acho normal, tudo bem keka é keca, mas na verdade se eu ando com alguém para isso depois eu não vou trazer essa pessoa para me acompanhar a tua casa!
- Sim, não o levo às festas!
- Nem aos restaurantes!
- Sim, porque parece que têm orgulho de se exibir assim!
- É ridículo, mas homens não vêem!
- Mas como assim, tu tens mas não trazes a minha casa!? Então consideras que pode haver esse tipo de relação?
- Mas claro, as coisas não são só um lado, nem tudo é para casar!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Conto de lua cheia


Hoje está calor, muito calor.
Ela dirige o carro e ele senta-se ao lado, já é a cerveja preta que fala, e ela, apenas porque hoje bebeu água, não questiona, apenas escuta, seguindo os caminhos sem resistir, apenas a ver o que dá, onde vai, como é a maré.
- Vira à esquerda, ok, de novo aqui, aqui, estaciona láaaaaaaaaaaa, ao fundo. – fala com o guarda - Chefe, não tem maneira de descer aqui agora?
- Nada, aqui não tem.
- Tem, chefe é que não quer nos mostrar!
- Tem, mas,,. Vão cair ali, senhora vai cair.
- Esta? Chefe… - começa a falar em xangane e ela a partir daqui já não entende o que dizem, mas entende a linguagem corporal claro, entende os risos cúmplices, com certeza – falam dela.
Descem para a areia e ela olha apenas a lua, enorme, laranja, redonda, sobre água calma. À esquerda esta paisagem – o rastro de prata bem marcado na água - do lado direito relampeja sobre os prédios e as nuvens ameaçam o céu de tempestade africana – morna, precipitada, odorosa, intensa, desorganizadora.
Ela caminho para a água, está morna. Caminha e vai subindo a capulana, mais, e mais, e mais… A água está quente.
Sente algo a enrolar-se nas pernas e sai da água:
– Ei! É aqui que se lavam os espíritos, aqui não se toma banho, não sabes que essas energias dos espíritos ficam aqui? Lavam tudo nesta água! E depois? Quem limpa a própria água dessas lavagens?
Mas hoje a água chama e ela entra sem hesitar. Está quente… boa.
Caminham juntos, caminham até ao pontão. Um ponto fálico feito de pedras, que entra na água morna do indico. Um falo que é molhado e batido de ondas espumosas e brancas.
Avançam, os limos e musgos ameaçam escorregar os pés, ela descalça-se. A pedra está quente, as ondas molham como salivas.
Ele caminha ao seu lado. Chegam quase ao final do pontão, onde a água cobre sempre a pedra.
Ele aproxima-se mais:
- Sabes o que eu disse ao guarda?
- Hum?
- Que te ia comer aqui mesmo, dei-lhe 60 paus para nos deixar passar.
- Não disseste! Oh pah, tu… - ele cala-a com um beijo. Aproxima-se mais.
Amam-se. Não importa se alguém vê, não importa se aqui nesta cidade não se abraça na rua, se é atentado ao pudor ou falta de vergonha, se é ilegal ou imoral. Eles amam-se assim mesmo, dentro da natureza. O avançar do pontão dá uma vista… panorâmica, a sensação é de exposição e secretismo ao mesmo tempo.
Estão expostos, claro, os carros que passam na marginal abrandam, ou se calhar nem se vê nada…
A cidade está atrás deles, como uma câmara de eco, e ela gemo, geme de olhos no horizonte, recebendo as brisas das índias.
O toque sensual da brisa é misturado pela força telúrica da penetração por debaixo da capulana que ela usa como uma white usa o material local – por exotismo.
Ela não pensa em nada, a força da terra está aqui, a energia da água salgada que é purificação e vida, a pedra quente e a chuva que já perfuma o ar e ameaça cair. Ela sente-o por detrás, estão de pé – em equilíbrios e desequilíbrios na rapidinha aluada.
As energias que convergem aqui são muitas. Depois do amor ela acocora-se e deixa a água entrar. As ondas molham de novo as mais escorregadias zonas. A capulana molhada cola-se ao corpo e só agora ouvem as rezas. Na praia eles fazem o círculo, falam a deuses ou esconjuram demónios, não se percebe. Não sabem o que lhes chamam, aos que acreditam que os abençoam ou amaldiçoam. Não sabem a que energias falam, mas no fundo são todas a mesma…
Eles avançam sem medo, mas com receios. A fé organizada, dá azo a fundamentalismos… sabe-se lá o que pensam e o que vêem assim na claridade de uma noite de lua.
Ela apanha do chão os chinelos, avançam de novo pela areia, os pés molhados.
Ele olha-a com incomum ternura:
- Sabes que acho que hoje fizemos a Malaika? – é mania de homem africano isso de sempre querer encher barriga, mas ela, que discute sempre, hoje sorri:
- Quem sabe fizemos?
- Na ku penda Malaika.
E ela que pode dizer?
- Na ku penda.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Intimidade fecha boca

No snack-bar diz o brada dele:
- Os gays estão à vontade nas suas coisas, por mim estão! Mas porque é que têm de as passar para o mundo? Desde que não tragam ao mundo por mim tudo bem!
- Mas que é isso de “trazer ao mundo”? Falas disto, de estar abraçado, de dar a mão?
- Ei, das coisas que vemos na tv, por todo o lado!
- Ah, a televisão, o Google, a internet, qual é a tua sugestão, um Google especial Moçambique? Como fazem na china?
- Ei, isso não são coisas de nossa cultura, isso é mais problema de branco, por isso…
- Olha, eu não sou racista e acho que não há nenhum problema que seja apenas “problema de negro”, por isso não sejas comigo, ok?
Eu converso empolgadamente com os amigos dele, e o jantar que comia já o esqueci, ele faz-me garfadas de omolete de ovo e salada e vai alimentando minha boca:
- Amor come. Podes falar mas come, estás a deixar tua comida. – a conversa continua:
- Mas qual é o problema? Diz-me lá o que tens tu a ver com o que as outras pessoas fazem na sua intimidade, dentro do seu quarto?
- Mas não está certo.
- Não está certo porquê? Entras onde tu nesse assunto de cama dos outros?
- Mas não faz sentido, com uma mulher podemos ter tudo, porquê ir procurar homens?
- Mas se tem pessoas que gostam, deixa! Qual é o teu problema com isso? Também tem pessoas que gostam de mulher gorda, ou magra, alta ou baixa, que tens tu a ver? Podem gostar de homem e…
- Eu não gosto que essas coisas se tragam ao mundo!
- Mas o mundo é isso tudo, tudo se “traz ao mundo”! Ela é tua mulher não é? – ele intervém baixinho:
- Ei, sch, namorada! Casa 2 pah…
- Ok… não importa, tu gostavas que alguém viesse lá no teu quarto te dizer o que podes ou não fazer com ela? Não gostavas né? Então porque queres te meter nos quartos dos gays? – o amigo dele continua:
- Eh pah! Eu não quero isso, não é isso aí mas me incomoda, é errado! Não gramo pah! Mas quem és tu pah? Vistes de onde mesmo? – ele continua a dar-me comida à boca:
- Amor, como faaaaaaalaas!
- Porquê?
- Nada, falas bem – falamos alto, as pessoas nas mesas à nossa volta olham-nos, ele continua:
- É minha mulher esta, não fala beem?
- Ei, eu não sou tua mulher.
- És. Não somos casados nós?
- TU és casado! Eu não.
- Mas vamos ser, é igual.
- Nada!
- És minha mulher porque eu te amo.
- Nada, tu amas aquela que tens lá em casa.
Sim, conversamos na esplanada, discutimos no café, rimos pela rua e trocamos insultos brincados quando terceiros estão presentes, sim… mas lá… quando fechamos a porta. As coisas mudam… aí eu peço o que não posso repetir e dou o que não posso confessar, e naquele momento, no momento crucial eu digo qualquer coisa! Aí é como assinar cheques em branco. Sim é caro, é perigoso, mas eu aceito. Aqui aceito tudo, e aqui ele é meu homem, eu sou sua mulher, não se questionam as opções, os gostos ou as manias. Somos dois – ou o número que formos – e nas coisas que fazemos importa apenas que todos os envolvidos gostem, desejem, tenham prazer. De acordo?
- Amor fala baixo, lá em casa a minha relação acabou.
- Mas se acabou porque vivem juntos?
- Você é confusa mesmo! Parece da beira pah! Porque eu para investir contigo tenho de ter garantias!
- Não tem aqui, garantia é para electrodoméstico.
- Você não me abusa!
- Porque? Só tu que podes abusar, é?
- Lá na cama não falas assim…
- Não estamos na cama!
Mas então se na tua cama fazes o que te apetece, o que te faz pensar que podes fazer juízo ou critica à cama dos outros?
- Eu não te abuso, estamos apenas a ver tuas liberdades, a te dar balizas, isso não pode ser assim. Tu não podes desautorizar-me porque as pessoas são maldosas, elas não entendem que estás a brincar.
Eu estou a brincar? Pois, agora pensando bem, acho que as garfadas que me enchiam a boca eram para me calar…

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Casa 2 é festa


Na festa:
- O “sócio” dela está lá em baixo
- Quem?
- O namorado dela, não sabes quem é?
- Namorado? Não!
- Então é aquele… o… vá lá, não sabes? Aquele para quem ela trabalha.
- O quê? Tu não estás a falar a sério!
- Sim, pensava que sabias, namoram há muito. Quer dizer… não é oficial não é, porque ele é casado, né? Mas gosta muito dela, já passa mais tempo deste lado que do outro, vai oficializar em breve de certeza.
Na internet recebo uma mensagem:
“Eh isto não é pakera: Olá, Se estiveres em Maputo, arranja um tempo para um café. Gostava de conhecer a Joana em pessoa. Beijo grande.
O título da mensagem é exactamente para não te assustares. Hehehehehehe”
E passada uma semana:
“Amorzão, antes da malta do grosso pegar, aqui vão meus números. Quero e de que maneira, tomar um café contigo!! Beijo grande”
Ysh... onde foi a mensagem que não era pakera...?
“Tu sabes muito bem que fugi daquela, querida. Podes usar meus números?!!! Beijo grande”
Sabes... vocês homens não prestam mesmo.
“Xi. O que aconteceu agora?! Não falo em nome de nenhum homem no mundo tanto mais que nasci sozinho. Se me perdi em alguma coisa ou te deixei num mico minhas desculpas. Os homens não sei, tenho meus defeitos e os aceito, mas meus amigos dizem que sou um tipo que presto.”
Assim fala homem casado.
Nas sms:
- Estás bem? Queres vir tomar uma bebida comigo, estou no Polana.
- Tomar uma bebida? Hummmm… isso é o quê?
- Um convite.
-Ok, mas… sabes, eu com homens casados desconfio muito desses convites.
- Mas porquê? Isso não é um problema, é uma questão de gestão.
- De gestão?
- Sim, ou és tu que tens problemas de gestão? Também acontece.
- Nada I am a free girl.
- Ai é, estás aonde?
- Mania vossa de perguntar sempre “onde estás”!
- Era para saber quão free és.
- Tão free que não respondo a essa pergunta.
Com a brada na saída da festa:
- Sabes, eu não me senti bem nesta festa
- Ya, estava um ambiente meio estranho, né?
- Ya, sabes, ali era só divorciadas, amantes e casas 2 e não sei quê!
- Ya…
- Não gosto daqueles ambientes, sabes?
- Ya…
- Sabes que o outro ligou-me?
- Foi? Conta.
-Ah, que tem saudades, que quer me ver, que não sei quê…
- E tu?
- Ah! Eu respondi normal, ele nem acredita, depois de uma relação de 2 anos eu estou assim fria, nem acredita mesmo…
- Ya, dois anos é maningue tempo.
- Ya! Ele agora está a ligar porque próxima semana viaja com a mulher e uns amigos, então deve querer despedir!
- Ya…
- E o teu idiota disse alguma coisa?
- Nada, desde aquele dia que o vimos nunca mais soube dele, quem sabe se apaixonou de novo por aquela que tem em casa?! Ah! Ah! Ah!
- Ya, quem sabe, homens nunca se sabe!
Em casa:
- Meu filho, não case mulher bonita... porque mulher bonita é para casa 2.
Ya… ser casa 2 é mesmo uma festa.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Menina machista II


À sobremesa:
- Joana, meu amigo está a pedir teu contacto.
- Qual amigo?
- Aquele do Audi.
- Hum, esse tipo não é casado?
- Ya, mas ah, Joana, este tipo tem taco! Tu nem precisas de te preocupar, mesmo que sejas casa 3! Hás-de ter tudo pah! Nunca mais tens de te preocupar com na-da!
Na disco:
- Quero te apresentar uma pessoa.
- Quem? – ela aponta
- Aquele ali.
- Hum… não sei…
- Mana, aquele tipo é libanês, tem mais de cinco lojas na town!
- E então?
- Ele já me disse, “Joana não está com obras em casa? Ela pode vir na minha loja!”
- Nada mana, obrigada.
- Mas ele não falava nem de fazer desconto, ele te OFERECE tudo, está interessado em ti mesmo! Aproveita pah!
No aeroporto:
- Ya, viajar é viajar, eu tenho damo em to-das províncias, vou começar organizar minhas férias!
- Mas tu! Pah! Teu namorado é nosso brada, não faz essa cena!
- Ei, estás a ver uma aliança no meu dedo? Eu faço o que quiser, sou livre!
No estrangeiro:
- Ya, este pito daqui anima pah!
- Mas… tu não pensas em pai de teu filho, em casa?
- Eh pah, brada, eu já disse, eu só sou fiel se meu damo me preencher em tudo, eu gosto de homens altos pah!
- Mas teu damo tu que escolheste!
- Ya, mas não me preenche, nunca lhe vou ser fiel!
No bar:
- Ah, sabes aquele tuga que te apresentei?
- ya.
- Eh! Eh! Anda todo caído por aquela ali.
- Ai é?
- Ya, mas cena engraçada é que ele anda com ela não rua todo assumido, e lhe chama de amor e tudo!
- Então?
- Ele quer relação com ela. Ysh, nem está a ver, marido dela é do Zimbabwe, rico! Ela nunca vai assumir este, ganha 2000 dólares ele, que é isso? Ah! Ah! Vai-lhe dar baile! Bem, bem!
No Sheik:
- Eh pah, temos de convidar-te mais vezes para vir sair connosco!
- Eu? Porquê?
- Antes de chegares eu pedi para dançar com essas aqui, me olharam de lado, recusaram, mas logo que tu dançaste comigo ela que veio!
- Ah, c´mon, não inventes!
- Sério, damas aqui, precisa publicidade, assim como estamos com white elas acham que já somos importantes. Ya, eu sou formado no estrangeiro, mas não tenho taco, sem taco não há dama!
Ao telefone:
- Joana, quero sair contigo, vamos lá ao Gil Vicente as duas!
- Vamos, mas porquê?
- Tenho minhas duas primas que conheceram maridos no Gil Vicente, um alemão e um dinamarquês, vivem lá agora, eu também quero.
- Mas… tu és casada.
- Sim, mas com moçambicano! Tou cansada eu! Quero viajar daqui.
No digestivo:
- Ei, eu pago conta!
- Nada, dividimos.
- Sério? Ok…
- Sim, porque é que és tu a pagar?
- É machismo né?
- Ya, quer dizer, podes pagar por prazer, mas não por obrigação.
- Então quando as nossas damas dizem que nós temos de djobar para lhes pagar uma boa vida estão também a ser machistas!?
- Maningue!